Quem é Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro preso no Paraná após ordem do STF

Ex-assessor de Bolsonaro tem prisão decretada Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi preso em casa nesta sexta-feira (2) pela Políci...

Quem é Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro preso no Paraná após ordem do STF
Quem é Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro preso no Paraná após ordem do STF (Foto: Reprodução)

Ex-assessor de Bolsonaro tem prisão decretada Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi preso em casa nesta sexta-feira (2) pela Polícia Federal (PF) em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. A ordem foi dada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). 🔎Filipe Martins foi condenado a 21 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado pela Primeira Turma do STF, em julgamento realizado no dia 16 de dezembro. VEJA TAMBÉM: Quem é Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro preso no Paraná após ordem do STF Entenda o que motivou Alexandre de Moraes a determinar a prisão de Filipe Martins 📱 Clique aqui e siga o g1 Ponta Grossa e região no WhatsApp Ao g1, o advogado Jeffrey Chiquini, que atua na defesa de Filipe Martins, negou que o ex-assessor de Bolsonaro tenha descumprido a medida cautelar e disse que vai se reunir com os outros advogados para decidir os próximos passos da defesa. Segundo o advogado, Martins "está há mais de 600 dias cumprindo todas as determinações judiciais. Nunca recebeu nenhuma advertência, nunca foi admoestado por ter descumprido qualquer ordem judicial, e hoje foi punido novamente, sem que tenha feito nada de errado." Filipe Martins estava em prisão domiciliar desde o dia 27 de dezembro, proibido de usar as redes sociais, e foi detido por descumprir a medida, segundo o STF. Filipe Garcia Martins Pereira, nascido em Sorocaba (SP) , assumiu o cargo de assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República. A nomeação foi divulgada no Diário Oficial da União em janeiro de 2019, logo no início do governo Bolsonaro. Martins, que também morou em Votorantim (SP), estudou Relações Internacionais na Universidade de Brasília (UNB). No cargo, Filipe atuava como intermediário entre o ex-presidente e o Ministério das Relações Exteriores. Pelas redes sociais, Filipe também se apresenta como professor de política internacional e analista político. Desde as últimas eleições presidenciais ele não realizou mais nenhuma publicação. A última postagem pública é de outubro de 2022. No entanto, a decisão de Alexandre de Moraes afirma que o perfil de Filipe Martins na rede social LinkedIn foi usado para buscar outros perfis, o que, segundo Moraes, configura descumprimento da medida cautelar imposta. Participação na minuta do golpe . Conforme a investigação da Polícia Federal, Filipe Martins foi apontado pelo ex-ajudante de ordens Mauro Cid como o responsável por entregar a Bolsonaro a minuta de um documento que previa a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a realização de novas eleições no país – medidas que não tinham amparo constitucional e, na prática, representariam um golpe de Estado. Martins teria recebido assessoria jurídica de um professor de direito administrativo e constitucional na elaboração do documento. De acordo com a apuração da CPI, Bolsonaro recebeu o documento das mãos de Filipe Martins, leu e pediu alterações na ordem do texto, decidindo manter apenas a prisão de Moraes e a convocação de um novo pleito eleitoral. Investigado por gesto racista Em junho de 2021, Filipe Martins foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público Federal no Distrito Federal, por um gesto feito por ele em uma sessão no Senado, em março daquele ano. O sinal, feito pelo ex-assessor, é usado por grupos extremistas e foi classificado como "uma verdadeira expressão da supremacia branca" pela Liga Antidifamação (ADL, na sigla em inglês), organização dos Estados Unidos que monitora crimes de ódio. Segundo o MPF, Martins "agiu de forma intencional e tinha consciência do conteúdo, do significado e da ilicitude do seu gesto". Assessor especial de Bolsonaro, Filipe Martins (ao fundo), faz gesto com a mão durante sessão do Senado Reprodução/TV Senado Ainda de acordo com o MPF, Martins teria um "histórico de menções a símbolos de extrema-direita". Clique aqui para ver os casos. Martins era da chamada "ala ideológica" do governo, ligado ao escritor Olavo de Carvalho, e tinha proximidade com os filhos de Bolsonaro. Na época, embora o Palácio do Planalto tenha considerado a exoneração do assessor, ele continuou no cargo. Ex-assessor de Bolsonaro ao lado de Olavo de Carvalho Reprodução/Instagram Tentativa de ocultar presença Em 2021, a Polícia Federal apontou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que uma advogada tentou ocultar, nos registros oficiais, a presença de Filipe Martins na tomada de dois depoimentos no inquérito sobre a atuação de uma milícia digital no país. Martins esteve presente nas oitivas dos empresários norte-americanos Jason Miller – ex-assessor de Donald Trump e fundador de uma "rede social de direita" – e Gerald Brant, amigo da família Bolsonaro. 'Alinhamento com Trump' O ex-assessor era defensor de um alinhamento com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em 2019, ele chegou a publicar uma foto ao lado de Trump afirmando que "uma aliança estratégica entre Brasil e EUA em torno de uma visão de mundo e de uma filosofia comuns será decisiva na defesa do Ocidente". Na mesma publicação, ele utilizou o termo "Deus Vult!", que significa "Deus quer", que foi utilizada nos últimos anos por integrantes da extrema-direita, que se espelham em símbolos da Idade Média e das cruzadas para defender, entre outras coisas, a superioridade de grupos brancos, cristãos e conservadores em relação a outros, como muçulmanos. Publicação de ex-assessor de Bolsonaro ao lado de Donald Trump Reprodução/Instagram O que diz a defesa de Filipe Martins O advogado Jeffrey Chiquini, que representa Filipe Martins, afirmou que as medidas cautelares não foram cumpridas e disse que o ex-assessor é alvo de perseguição. "Em verdade, hoje o STF coloca em prática aquilo que já queria desde 2019, quando o Filipe Martins foi selecionado como líder do gabinete do ódio. Hoje, Alexandre de Moraes coloca em prática aquilo que desde sempre queria: prender Filipe Martins. Não é uma medida cautelar, é uma medida de vingança. Trata-se evidentemente de início de cumprimento da pena. Vejam que não importa provar ser inocente, não importa cumprir as cautelares de forma exemplar. O ministro Alexandre de Moraes decide como ele quer, da forma como ele quer, e a hora que ele quer." Vídeos mais assistidos do g1 Paraná:

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